terça-feira, janeiro 16, 2007

O que é o Nooma

Tive uma boa surpresa quando fui apresentado ao material do Nooma, quando me falaram deste, fui até o site e assisti ao Rain (cujo filme está disponível em versão integral) e aos clipes de todos os outros títulos disponíveis, já dava para sentir um pouco o espírito do trabalho, mas quando me emprestaram dois títulos da coleção, Rain e Sunday, fiquei realmente animado.
Cada Nooma traz um DVD que traz versões legendadas em diversas línguas, incluindo o português, mais um caderninho com grande qualidade gráfica e também de conteúdo, o caderninho é em inglês e traz algumas frases e perguntas para ajudar na reflexão e compartilhar da mensagem.
Meu entusiasmo veio de encontrar um material realmente ideal para aplicação em grupos pequenos e grupos pré-cristãos:
  • Os filmes são curtos, todos tem em média 10 minutos;

  • As mensagens são muito claras, a linguagem é bastante contemporânea e o contexto em que ele se colocam é bem comum

  • As reflexões são profundas, acho que um dos grandes méritos de Rob Bell no Nooma é fazer as perguntas certas, muitas delas ficam ecoando em nossa mente após o filme;

  • A direção dos filmes foi muito feliz, combina uma trilha sonora indie muito bonita e tocante, as locações muito bem escolhidas e uma conversa muito leve, longe daquele tom de pregação que a gente vê nos programas evangélicos

  • O filme e o caderno facilita muito a conversa e pode tornar o encontro do pequeno grupo realmente compensador.

  • Acho que o único porém são as legendas em português um pouco rápidas, mesmo para um pessoal que já está acostumado com TV a Cabo. Às vezes, o pessoal pede para que passe outra vez para rever o que perdeu e entender a lógica das propostas. Isto é, para um pessoal mais simples sem vivência com as legendas, o trabalho com os DVDs pode ser menos eficiente.
    Os títulos discutem a respeito de vários temas, alguns são excelentes, outros nem tanto e alguns tem aplicação bem específica:
    1.Rain – Fala a respeito das adversidades, dependendo como você estiver quando assistir é até difícil conter as lágrimas. Muitos consideram o melhor Nooma produzido.
    2.Flame – Fala a respeito dos níveis de profundidade do amor romântico até o sexo;
    3.Trees – Posicionamento bem interessante de nós como igreja na história, tenta nos fazer visualizar nossa missão;
    4.Sunday – Fala sobre igreja, é bem ousado em questionar o que fazemos e por que fazemos;
    5.Noise – O vídeo nos dá uma outra surpresa, fala sobre a importância do silêncio e como estamos preparados para desfrutar a presença de Deus;
    6.Kickball – Fala sobre a providência de Deus e respostas às nossas ansiedades;
    7.Luggage – Mensagem muito boa sobre perdão, no entanto, acho que esse é o filme com o roteiro mais polêmico de todos, pode não agradar;
    8.Dust – Aqui temos uma descrição fascinante sobre o que significa ser discípulo e temos uma conclusão surpreendente sobre a fé;
    9.Bullhorn – É uma crítica ao fundamentalismo evangélico em geral e seus pregadores de rua;
    10.Lump – Fala sobre o amor de Deus a despeito do nosso pecado;
    11.Rhythm – Fala sobre relacionamento com Deus e nos explica como todas as coisas se completam em Jesus Cristo, nos dá uma metáfora muito interessante sobre a presença e ação de Deus;
    12.Matthew – Fala sobre a perda de alguém querido;
    13.Rich – Fala sobre a responsabilidade daqueles que tem em ajudar os que não tem; creio que nós da classe média também nos inserimos no contexto que ele cita da América.
    Tem também o Breathe, que foi lançado recentemente, mas ainda não pude vê-lo. Nos Nooma’s Rain, Kickball e Lump, Rob Bell se aproveita de alguma experiência sua com seus filhos e nos permite entender melhor como Deus age como Pai. As idéias dos vídeos em geral são muito boas e às vezes surpreendentes, os desafios podem ser mais incômodos quanto mais conservadores forem os ouvintes.
    É só assistir o vídeo que as idéias fluem, tanto em como utilizá-lo na igreja, como em como criar outros novos materiais localmente, como também em como desenvolver sua própria fé que é bastante desafiada e desenvolvida à medida que você consegue aproveitar a mensagem.
    Rob Bell é pastor da Mars Hill Bible Church em Michigan, quando apresentam essa igreja, apresentam-na como a igreja que mais cresce nos Estados Unidos. Acho que a repercussão do Nooma junto com imagem que ele tem montado de um pastor cool, tem atraído várias críticas a ele. Pelo que vi, tem se destacado por ser um pastor que busca entender o background judeu dos ensinamentos de Jesus Cristo, você consegue notar o quanto ele recorre ao hebraico em vários de seus vídeos assim como à cultura hebraica. No site do Nooma ele mesmo recomenda uma lista de vários livros sobre Jesus Cristo e o Novo Testamento em um contexto judeu. Ele também escreveu o livro Velvet Elvis, onde você encontra uma boa base do que você assiste no Nooma e “Sex God” que está sendo lançado agora. Além disso, promoveu em 2006 um tour nos Estados Unidos chamado “Everything is Spiritual” com a renda alocada para a WaterAid que trabalha em encontrar água em cidades inóspitas.
    Se você for comprar, preste atenção nas taxas de frete que parecem ser as mesmas tanto para 1 como para os 14 DVDs: US$ 22.50. Lembre-se também do imposto de importação de 60% sobre o preço do DVD que você paga na retirada do produto aqui no Brasil.


    Contribuição de Luis Fernando Batista do Checklist Para Viver o Cristianismo

    sábado, outubro 28, 2006

    Outra Igreja

    “A Igreja é, ao mesmo tempo, organismo espiritual e instituição social. O grande
    desafio é o constante arrancar das ervas daninhas da institucionalização de modo
    que organismo espiritual encontre espaço para florescer, frutificar e se
    alastrar.” (pg. 85)


    Em Outra Espiritualidade – fé, graça e resistência (Editora Mundo Cristão), Ed René Kivitz promove o abandono “da espiritualidade do senso comum evangélico” – e propõe “um resgate dos aspectos essenciais à fé cristã conforme se estabeleceram nestes mais de dois mil anos de história”. Divide sua obra em: Outro cristianismo (parte 1), Outra igreja (parte 2), Outro céu (parte 3), Outra fé (parte 4), e Outras coisas (parte 5).

    E pega pesado no “núcleo que resume como este segmento religioso da sociedade articula sua crença e seu modus vivendi”. Seu foco está em várias outras possibilidades – num sentido claro de construção de uma agenda positiva para o nosso atual momento. O nosso meio é um deserto em propostas contextualizadas e vivas. Há certamente algumas ilhas – porém em sua maioria carentes de equilíbrio. Há muita ortodoxia sem piedade e muita piedade sem ortodoxia. A própria blogosfera ‘cristã’ é sinal claro disso.

    Kivitz enfatiza logo no início que o lado construtivo dessa “outra” é a busca da espiritualidade do senso comum da tradição cristã.

    Os editores por sua vez, se sentiram no “dever de publicá-lo” pois diante de um quadro singular porque passa a Igreja brasileira, “Ed René Kivitz faz parte de um grupo que representa uma espécie de desobediência civil às tendências da maioria de seus contemporâneos”.

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    Sou amigo do Ed há mais de 15 anos. Ele faz parte dessa nova geração que ‘nos’ sucedeu na década de 90. Acho que ele olhava para ‘nós’ pensando: ‘um dia vou fazer parte do núcleo’. Eu acho – nunca me certifiquei disso. À época, ele já começava a se destacar. Mas aqueles ‘nós’, eu incluiria o Caio Fabio, o Ariovaldo, o Osmar, o Robinson, o Bomilcar, o Guilherme, o Dieter, o Alex, e até o próprio Gondim ... entre vários outros. Eu – bem – eu ficava só nos bastidores.

    Sómente nestes últimos dois anos é que nossa amizade, convivência e o relacionamento pastoral (hoje estou na IBAB) se intensificaram para valer. Realmente estamos mais próximos. E eu gosto do cara. É difícil não ser assim.

    Um parêntesis aqui. O tempo dirá que estou certo nessa facilidade de gostar do cara. Mesmo os mais discordantes (e hiperbólicos defensores da fé), após um diálogo honesto com ele, certamente sairão com mais pontos conciliados e acordados (pelo e para o bem do Reino). É claro que incluo os verdadeiramente bem intencionados.

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    No capítulo 17 do seu recém lançado Outra Espiritualidade, o autor lista alguns pontos que levam a igreja a um intensivo e maléfico caminho de institucionalização. Destaco alguns dos pontos elencados:

    Liderança personalista. Perda da visão de I Coríntios 12 privilegiando ministros tidos como especiais.

    Ministração quase exclusiva à massa sem rosto. Voltados para o crescimento numérico e valorização a ministração de massa.

    Rede de relacionamentos funcionais. As relações deixaram de ser afetivas e se tornaram burocráticas.

    Rotatividade de líderes chamados leigos. Muitos lideres se sentem usados, explorados, mal-amados, desconsiderados e negligenciados. Há um moer de corações pela máquina.

    Falta de preocupação com o discipulado. A instituição está mais preocupada com uma agenda externa e visual (podemos incluir: concreta – quando da construção de sua sede), do que em transformar vidas de dentro para fora. Não há acompanhamento pastoral e discipulador.

    Proclamação utilitarista. Quando os ministérios institucionalizados se alimentam de desespero e conveniência. A mensagem proclamada nada tem a ver com aquele bom e velho Evangelho!

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    Os textos em si não são de todo novidade. É parte da sua ‘pregação escrita’ que manteve por anos na coluna Diálogo da revista Eclésia. Assim como seus pensamentos há tempo cristalizam que seu chamado é para ser um ‘virador de mesa’.

    Quando do seu primeiro livro, ele já quebrava os paradigmas do culto, do clero e do templo. Ed não foi o primeiro a escrever e a pôr em prática esse jeitão revolucionário. Só que o homem não pára! E sempre aperta a seringa até o seu limite – não deixa sobrar nada.

    Suas falas e seus escritos precisam ser mantidos em contexto. Muitos tentam fazer uma exegese teológica-doutrinária pinçando uma frase de um diálogo num contexto pastoral. Desprezar a sagacidade, a inteligência e o senso de oportunidade num momento em que (ungido pelo Espírito Santo) se ministra a corações despedaçados – é muito mais que injusto e irresponsável.

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    Mais acerca do pensamento de Ed René Kivitz pode ser lido em seu recém inaugurado e já polêmico blog – aqui!

    E para quem quer acompanhar as mensagens dominicais de sua pregação, a Eliene de Jesus Bizerra no seu blog Prosseguindo em Conhecer transcreve quase que de maneira católica. É um trabalho de fôlego, principalmente porque Ed tem pregado praticamente todos os domingos de manhã e à noite. Para quem tiver interesse vai encontrar preciosidades no blog da Li (que é duplamente de Jesus).

    sábado, maio 27, 2006

    Síndrome de Nínive



    Por Thomas Hahn

    Pois é. Aí Deus disse para Jonas:

    Vá até Nínive e dá um jeito naqueles bárbaros assírios. Avisa que se eles não se emendarem de seus caminhos, serão destruídos.

    Deus é Deus, mas tudo tem sua hora, o seu momento. É verdade que a turma de Nínive estava abusando da corrupção, da violência, do descaso para com Deus. Mas eram pagãos, não eram? E Deus era o Deus exclusivo da Igreja Evangélica de Jonas, em pleno desenvolvimento espiritual (53% dos membros achavam que tinham crescido espiritualmente nos últimos 12 meses, mercê da fabulosa série de sermões sobre espiritualidade zen proferidas por Jonas).

    E se Jonas sofresse um ataque da parte daqueles ímpios? E se não pudesse completar sua série de sermões? Aquilo, sim, é que era obra de Deus!

    “Me desculpe Deus”, teria dito Jonas, “Eu vou, sim, mas não para o Norte, para Nínive, mas sim para o Sul, participar de uma conferência (abençoada) sobre, justamente, a Espiritualidade Zen no Contexto Lacasiano.”

    O que Jonas não levou em consideração é que sua desobediência a Deus poderia afetar, negativamente, a si próprio (três dias no estômago de um peixe deixam você com um odor meio, digamos, pungente) e à sua Igreja, que começou a viver escândalos e futricas.

    Quando, porém, Jonas se arrepende e decide obedecer a Deus, e rumar para Nínive, capital da Assíria, a tempestade se acalmou.

    Agora, sua performance em Nínive foi, para dizer o mínimo, amadorística. Principalmente para um profeta com a quilometragem de Jonas. Não foi convidado para dar conferências em igrejas evangélicas, pelo simples motivo de lá não existirem. Ficou tristemente limitado a pregar em praça pública. E, para curiosos e bêbados (além de alguns cachorros).

    E a mensagem? Totalmente ultrapassada: Arrependam-se, ou...

    Só que Deus era (continua sendo) Deus. Nínive inteira se arrependeu, para o intenso desgosto de Jonas – não eram eles os não-escolhidos de Deus? Que negócio é este? Mas, naquela hora, houve salvação em Nínive.

    Os nossos profetas, se os há, estão na fase 1 de Jonas. Interessados em tudo, menos no enfrentamento da corrupção e da violência que subjuga o brasileiro. Não indo para Nínive, não pregando o arrependimento com perdão, ou então a condenação. Não querendo fazer um papelão.

    Mas o nosso barco vai afundar, Jonas!

    sexta-feira, abril 28, 2006

    O que 147 alces me ensinaram sobre a oração



    Por Philip Yancey

    O autor Brennan Manning, que dirige retiros espirituais várias vezes por ano, certa vez me falou que não há uma pessoa que tenha seguido suas instruções para um retiro de silêncio que não tenha conseguido ouvir a Deus. Intrigado e um pouco cético, eu me inscrevi para um de seus retiros, este com a duração de 5 dias.

    Todos os participantes se encontravam com Brennan por uma hora, diariamente, tempo em que ele nos daria algumas tarefas em meditação e trabalho espiritual. Também nos encontrávamos para o culto diário, durante o qual só Brennan falava. Fora disso, nós éramos livres para gastar nosso tempo como quiséssemos, com apenas uma exigência: duas horas de oração por dia.

    Eu duvido que eu já tivesse dedicado mais de 30 minutos à oração em alguma outra ocasião, na minha vida. No primeiro dia eu perambulei por uma campina até seu limite, e me sentei no chão, com as costas apoiadas no tronco de uma árvore. Eu tinha trazido comigo a tarefa de Brennan para o dia e um notebook para poder registrar meus pensamentos. Por quanto tempo vou me manter acordado? – eu me perguntava.

    Para minha grande sorte, uma manada de 147 alces (eu tive tempo suficiente para contá-los) passeava exatamente no campo em que eu estava sentado. Ver um alce já é excitante; ver 147 alces no seu habitat simplesmente nos faz cativos. Mas logo eu aprendi que observar 147 alces por duas horas é, no mínimo, entediante. Eles abaixavam as cabeças e mastigavam grama. Levantavam as cabeças simultaneamente e olhavam para uma gralha estridente. Abaixavam as cabeças novamente e mastigavam grama. Por duas horas, nada além disso aconteceu. Não houve ataque de leões da montanha; não houve confronto entre búfalos. Todos os alces se inclinavam e mastigavam grama.

    Depois de um tempo, a total placidez da cena começou a me afetar. Os alces não tinham se dado conta da minha presença, e eu simplesmente me introduzi no seu ambiente, assimilando o seu ritmo. Já não pensava mais no trabalho que havia deixado em casa, nos prazos de entrega me encarando, na leitura que Brennam havia me indicado. Meu corpo relaxou. No silêncio dominante, minha mente se aquietou.

    “Quanto mais aquietada estiver a mente”, escreveu Meister Eckhart, “mais poderosa, de mais valor, mais profunda e mais perfeita será a oração.” Um alce não tem que se trabalhar para ter uma mente aquietada; ele se satisfaz em permanecer num campo o dia inteiro com seus companheiros alces, mastigando grama. Um apaixonado não tem que se esforçar para dispensar atenção à sua amada.

    Eu orei pedindo, e num momento fugaz recebi – esse tipo de devoção a Deus que arrebata.

    Em nenhuma outra ocasião tornei a ver os alces, embora toda tarde eu procurasse por eles nos campos e floresta. Durante os dias seguintes eu disse muitas palavras a Deus e também me sentei em silêncio na sua presença. Fiz listas e muitas coisas me vieram à mente, mas não teriam vindo se, uma vez, eu não tivesse me sentado no campo por horas. A semana se tornou uma espécie de check-up espiritual que apontou caminhos para um futuro crescimento. Não houve uma voz audível. No entanto, ao final da semana eu tive que concordar com Brennan: eu ouvi Deus.

    Eu me tornei mais convencido que nunca que Deus encontra maneiras de se comunicar com aqueles que verdadeiramente o buscam, especialmente quando diminuímos o volume dos ruídos à nossa volta. Eu me lembro de ler o depoimento de uma pessoa que, em sua busca espiritual, interrompeu uma vida atribulada para passar alguns dias num mosteiro. “Eu espero que você tenha uma estadia abençoada”, disse o monge que mostrou ao visitante sua cela. “Se você precisar de alguma coisa, fale conosco, e nós o ensinaremos a viver sem ela.”

    Nós aprendemos a orar fazendo orações, e duas horas concentradas por dia me ensinaram muito. Para começar, eu preciso pensar mais em Deus do que em mim, enquanto estou orando. A própria Oração do Senhor foca primeiro naquilo que Deus quer de nós. “Santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade” – Deus quer que desejemos essas coisas, que orientemos nossas vidas nelas.
    Com que freqüência eu me chego a Deus não com pedidos de um consumidor, mas simplesmente com o desejo de passar um tempo com Ele, de discernir o quê Ele quer de mim, e não vice versa? Quando eu fiz isso no campo de alces, misteriosamente descobri que a resposta às minhas orações por uma orientação girava em torno da minha pessoa, o tempo todo. Nada mudou, a não ser os meus receptores; através da oração eu os abri para Deus.

    Algumas pessoas chamaram a oração meditativa de um ato sem proveito, porque nós a fazemos não com o intuito de conseguir algo, mas espontaneamente, tão inútil quanto uma criança brincando. Depois de um tempo maior com Deus, minhas demandas urgentes, que pareciam tão importantes, passaram a ter um novo enfoque. Eu comecei a pedir por elas para o bem de Deus, não para o meu próprio. Embora minhas necessidades possam me levar a orar, é lá que eu chego face-a-face com minha maior necessidade: um encontro com o próprio Deus.

    Traduzido por Talita A. M. Ribeiro - Christianity Today

    sábado, março 25, 2006

    Ed René Kivitz -


    Está no meu colo já há uns bons dias essas anotações da fala do Ed René Kivitz no evento do Vida Acadêmica , realizado na Bienal do Livro.

    Antes de mais nada, quero fazer um disclosure: o cara é muito amigo. Tanto é que a minha primeira escolha, ano passado na mudança para Sampa foi ir pra a IBAB (e de brinde ganhei o Arizão – outro precioso irmão e amigo).

    Preciso dizer dessa minha consideração pelo Ed, pois é uma amizade construída no tempo. Uns 15 anos pra mais. Ele vinha à redação de Kerigma para compartilhar seus sonhos e projetos, e eu ficava ouvindo e vez ou outra dava uns pitacos. É impressionante como Deus fervilha sonhos em seu coração, e no ponto de ebulição, deixa subir à cabeça. E daí pra realização é dois palitos. Isso foi no começo dos anos 90. E como amizade é igual a jardim, cultivei desde então.

    O outro lado da verdade nessa amizade, é que admirar um cara inteligente, empreendedor e corajoso é fácil. Um cara porém, que une essas qualidades e, talvez por isso mesmo, atue com muito desprendimento no meio evangelical - você admira ainda mais.

    Como isso é apenas uma introdução ao post de sua palestra, em outra oportunidade resumiremos seus dados biográficos.

    Além da Religião


    Palestra realizada no evento VIDA ACADÊMICA - Bienal (14/03/2006)

    Notas da apresentação de Ed René Kivitz (em formato livre)*


    René Girad é um antropólogo cristão (católico) que através de seus livros nos ajuda a entender aspectos do Cristianismo que vão além da religião. Seus livros – para citar alguns são: Violência e o Sagrado, O Bode Expiatório, Longo Argumento do Principio ao Fim, Eu Via Santanás Cair do Céu como um Raio (Edição Portuguesa).

    A maneira como Girard desenvolve sua análise, principia com o 10º mandamento ... “Não cobiçarás ...”. A construção é feita em cima da dominação mimética do ser humano de querer imitar seu próximo, ser igual a ele. É na quebra deste mandamento que geramos tensão e violência. E como o povo peca em conjunto, a violência é coletiva. Somos seres desejantes – sem saber por que, queremos, desejamos, ansiamos, cobiçamos ... Diferente de apetite que é um atributo natural e físico, o desejo vai além. Como um símbolo a ser alcançado, quero imitar o outro. SE eu admiro alguém, vou aspirar ser igual a ele.

    A sociedade de consumo sabe trabalhar bem essa mecânica. As propagandas usam o ‘meu ídolo’ que possui, que veste, que tem algo – e esse algo eu vou desejar também. Eu quero igualmente usar, vestir, ter. Apesar de iguais – humanamente falando, nos tornamos rivais pois os objetos de desejo são escassos. A violência coletiva é gerada a partir daí. Por isso de: todos contra todos!

    Deixamos de lado nosso objeto de desejo, para dar seqüência à violência. A própria violência é mimética. Não podemos nos satisfazer, então temos que partir para a violência, gerada que foi pelo ponto de tensão.

    O senso de sobrevivência propôs um ponto de fuga. Ao invés de todos contra todos, escolhamos um bode expiatório. Sabemos que o problema está na sociedade, mas a forma de resolvermos essa tensão é através do sacrifício de um.

    ".. e que não pereça toda a nação."

    No evangelho vemos em João 11:50 as palavras de Caifás (propondo a solução dentro desse arquétipo) “É melhor que um só morra, para preservarmos a nação” Poderia ser algo assim: “Vocês Os Romanos vão perder a paciência conosco e vão nos aniquilar como nação – é melhor a gente entregar esse homem, e que ele sirva de bode expiatório”.

    Há um paralelo aqui com o Édipo que foi castigado e expulso. Um sacrifício para apaziguar os deuses. A paz voltou após isso.

    A religião portanto constrói o altar para o bode, e toma o bode para justiça – realizando o sacrifício. O bode é assim divinizado. A sociedade estabelece o rito – o que não é a missa a não ser a repetição do sacrifício de Cristo? O rito é a substituição do fato a ser repetido.

    Há nos evangelhos mitos idênticos, com uma diferença substancial – daí que faz do Cristianismo (o verdadeiro) não uma religião. E daí que o outro cristianismo (o não verdadeiro) é uma imitação de atos religiosos.

    Nos outros mitos, o bode é culpado, logo sua morte é justificada e bem vinda. Esse bode participou dos problemas, dos erros e das culpas, junto com todo o povo. Então se usarmos o bode – que é igualmente culpado, não estaremos errando de todo, e ainda por cima vamos nos livrar da culpa.

    Jesus é o Cordeiro

    É exatamente aqui que não podemos nos perder! Por que Jesus não é bode – é Cordeiro! Ele não tem culpa! Diferente do bode ele é inocente! E se o bode fazia parte do povo culpado, já não podemos usar a figura com Jesus, pois ele é inocente como um Cordeiro.

    O salmista interpreta e antecipa esse sentimento de Cristo à beira da morte: “Fiz coisas boas, sinais vários. Por que o povo me odeia?”

    Em nenhum momento Jesus vem como bode, mas sim como Cordeiro, por ser sinônimo de limpeza, de pureza. E assim se repete ao longo do livro de Atos: “Vocês mataram um inocente” era a pregação recorrente. E mais (no evangelho completo) Deus ressuscita o inocente!

    A morte, a última das desgraças, estava associada ao destino imposto pelos deuses. Morrer significava perdedor. Perdedor era o errado, o culpado. Veja o exemplo dos duelos medievais e até alguns séculos atrás: não era para ver quem era melhor (com a espada, como tiro), era para literalmente deixar nas mãos de Deus que a justiça seria feita à maneira dEle!! Deus não ficaria neutro, penderia para algum dos lados, e com certeza para o lado certo!

    Davi e Golias foi um duelo. Como Davi poderia perder? O imperador romano já vaticinava: “Quem vai se levantar contra Roma? Os deuses estão do nosso lado!”

    Vemos que com Cristo, as coisas mudam. Primeiro por Ele ser inocente. Depois por Deus te-Lo ressuscitado, e em terceiro lugar, porque Deus não estava do lado do algoz. Diferentemente do principio do bode expiatório, Deus se solidariza com a Vida.

    Todo sacrifício em nome de Deus é errado

    Girard cita I Coríntios 15 como um argumento de que Satanás não tinha idéia do que significava a morte de Cristo, nem da sua ressurreição. Ele foi pego de surpresa. Satanás não participaria do processo do bode expiatório se ele entendesse que não era um bode expiatório – e sim a morte e a ressurreição do Cordeiro inaugurando um novo tempo. Não vai ter mais sangue. A partir de agora Deus vai ficar do lado da vítima. Quem mata, mata Deus. Todo sacrifício em nome de Deus é errado! Porque o sacrifício vitima alguém, e Deus não está mais do lado do sacrifício porque essa era cessou – acabou!

    Não dá para sustentar um processo de vitima e de sangue (sacrifício) em nome de Deus ou da religião, pois Deus não quer mais sangue. E Ele vai sempre ficar do lado da vítima.

    Quando Jesus morreu, Ele quebra a lógica de vitimar. O Cristianismo (com e no) é o desaparecimento da religião. Esse é o grande fenômeno cristão por excelência!

    Uma religião que exige sacrifício é diabólica

    Entender a Graça é entender o verdadeiro Cristianismo. Uma religião que exige sacrifício é diabólica. Por isso muitos dos evangelicais precisam ler e estudar Girard. É uma leitura necessária. Uma igreja que vive da culpa e do medo, gera violência e nunca vai ser promotora da paz.

    Veja o sermão do monte, e o significado da misericórdia, do pacificador, do amor, da compaixão, da solidariedade. Amar os amigos é fácil, ame os inimigos. Dê a outra face. Ande uma milha a mais, dê a capa e o sobretudo ...

    Solidariedade não é para quem merece. É para quem precisa.

    Há motivos que nos levam à angustia? Se não passarmos essa angustia por Deus, para Deus, seremos irresponsáveis. Vamos correr o risco de sermos violentos, motivados por raiva, por vingança. Deixamos a angustia dominar nosso coração.

    A igreja verdadeira precisa mobilizar um exército de pacificadores e misericordiosos. Há angustia no nosso coração? Essa angustia é a semente de um sonho – é onde vem a esperança. A palavra pastoral: a oração vai regar essa semente. A gente leva para Deus a angustia, e Ele devolve esperança.

    *(Anotações feitas e transcritas por Volney Faustini - sem revisão do preletor)

    quinta-feira, março 23, 2006

    ORA ET LABORA

    I ENCONTRO DA IRMANDADE EMÁUS
    (formação espiritual, cura, amizade e missão)
    Vinhedo SP, de 20 a 23 de abril de 2006 –
    Casa de Retiros Siloé – Mosteiro Beneditino

    Tema: ORA ET LABORA
    A oração como escuta e a missão como projeto de vida

    Para quem?
    Homens e mulheres comprometidos com o Evangelho de Cristo que desejam vivenciar mais da Espiritualidade Clássica e da Missão Integral.

    Palestras:
    - Aprendendo com os doutores da Igreja:
    Bento de Núrcia, Agostinho de Hipona e Tereza d´Ávila.
    - A espiritualidade do feminino

    Exercícios espirituais, vivências e grupos:
    Lectio Divina, Oração Centrante, experiência de Taizé
    Vivências: Liturgica, Eucarística e do Filho Pródigo,
    Grupos mentoriados.

    Participação:
    Enedina Redondo, Isabelle Ludovico da Silva, Gerson Borges, David Alencar, Waldney Carmignani, Ronaldo Perini, Sebastião Molina, Ivo Moreira, Luiz Santos e outros.

    Direção Espiritual
    Osmar Ludovico da Silva

    Inscrições e mais informações escreva para: Ronaldo Perini - prperini@terra.com.br

    segunda-feira, março 20, 2006

    Luiz Henrique Mello

    Este é outro precioso irmão, de longa data e de muitas parcerias e caminhadas conjuntas. Lou, teve ainda bem jovem, a positiva influência de pelo menos três grandes gigantes do evangelicalismo brasileiro: Tio Cássio (seu primeiro pastor-evangelista), Dale Kietzman (mentor da diaconia técnica e precursor da terminologia do Desenvolvimento - a part extra muros das organizações que precisam levantar suporte financeiro), e não menos importante, o Prof. Dr. Russell Shedd (dispensando comentários adicionais).

    Na sua conversão teve o acompanhamento da comunidade Cristo Salva de Indianópolis. Na atuação missiológica teve uma participação chave em Portas Abertas. E pra `pegar o rumo` ... fez a Teológica. Depois disso as experiências se multiplicaram - e pelo menos em causos, enriqueceram-no!

    Nesta primeira participação em Kerigma Online, Luiz Henrique compartilha aspectos intimos e reveladores da experiência com Thomas, que ele e Dedé como pais Têm vivido.

    Missionário, pastor, professor, nerd, consultor de ongs ... das muitas qualificações a que mais tem sentido é a de companheiro de caminhadas.

    VF

    sábado, março 18, 2006

    Cada Dia Será Como Deus Quiser



    Por Luiz Henrique Mello


    Em termos da experiência envolvendo nosso filho caçula, o Thomas, um cardiopata congênito, há muito a ser dito. Não consigo imaginar, quando vou parar de descobrir novos ângulos relacionados a essa questão.

    Creio que, em termos teológicos, o Fábio Adiron foi muito feliz em seu excelente artigo, publicado nesse mesmo blog. Meu acréscimo já foi mencionado em artigo intitulado “Uma Nova Teologia”, publicado em meu Blog. Todo esse acontecimento nos fez repensar nosso sistema de crenças e tratar de alargar as estacas das nossas tendas.

    Tentarei abordar esse tema, um pouco mais, pela ótica das sensações, dos sentimentos, do relacionamento e com algumas consequências mais práticas.

    A primeira pergunta que veio a minha cabeça quando me comunicaram o veredicto: “Seu filho tem um mal congênito, de natureza grave e complexa no sistema circulatório, principalmente no coração”, foi: “Espera ai, como isso pode estar acontecendo comigo?” Na verdade, estava acontecendo com o Thomas. Eu, minha esposa e os irmãos dele éramos as outras vítimas, atingidos indiretamente.

    O primeiro acontecimento interessante foi a reação do pastor de nossa Igreja. Segundo a teologia dele, na época, essas coisas seriam consequência de pecado. Então, procurou-nos em nosso momento de dor, para convencer-nos a pedir perdão por algum pecado nosso oculto, capaz de ocasionar a cardiopatia no Thomas. Sem comentários.

    Segundo os médicos que o atenderam logo de início, o problema poderia ser minimizado com procedimentos cirúrgicos, mas, não havia garantias. Se ele superasse as primeiras horas ou dias, as chances de sobrevivência aumentariam. Isso criou, em mim, um sentimento de gratidão jamais experimentado ou imaginado. Cada novo dia ao lado do Thomas é uma dádiva nova de Deus, certamente. No próximo 11 de maio, comemoraremos 18 anos de gratidão.

    Minha esposa desenvolveu um sistema de crenças mais elaborado e surpreendente, a partir dai. Certa vez, logo depois do nascimento de nosso filho, estávamos na porta do Colégio Batista para resgatar os dois mais velhos, quando uma mãe se aproximou dela e, com os olhos cheios de lágrimas, perguntou: “Como você está conseguindo suportar isso?” A resposta encheu os meus olhos de lágrimas, quando ela disse: “Eu li em um livro da Corrie Ten Boon que quando ela era pequena e estava assustada por não saber se Deus a livraria de um grande problema, se isso viesse a acontecer, seu pai lhe perguntou: Quando vamos para a capital a que horas compramos a passagem para embarcar no trem? Ao que a menina respondeu: Um pouco antes de entrarmos no trem. Então, continuou o sábio pai, quando e se esse problema chegar, um pouquinho antes, Deus te dará o necessário para enfrentá-lo.” Assim, concluiu minha esposa, eu nunca tinha imaginado a possibilidade de ser mãe de um filho com esse problema ou outro qualquer, mas, um pouquinho antes dele nascer, Deus me deu os recursos necessários para enfrentar essa situação.

    Os primeiros cinco dias do Thomas se passaram dentro da UTI do hospital. A equipes de médicos e enfermagem revezavam-se em turnos e criamos um bom relacionamento com eles. Entretanto, uma noite, quando entrei para visitar o Thomas, fui expulso da UTI pela enfermeira chefe que assumira o plantão noturno. Minha primeira reação foi uma mistura de ódio e abandono, de raiva e impotência ou algo assim, mas, surgiu em minha mente um pensamento estranho, mas, consolador de certa forma: Pensei, “ela não sabe o que faz”. Só faltou pedir a Deus para perdoá-la, por isso.

    Nesses dezoito anos, foram duas cirurgias de tórax, inúmeros procedimentos invasivos com cateteres (cateterismos), centenas de exames chatos ou doloridos, mas, isso parece ter sido, sempre, o menos importante. Para o Thomas, surgiram limitações de ordem sociais muito importantes. Ele e todos nós, descobrimos que a sociedade não está preparada para conviver com pessoas cujo aspecto fuja demais aos padrões aceitos. Começamos a reparar, como nunca, que há toda uma cultura determinadora dos biótipos aceitáveis ou inaceitáveis. Através da propaganda, principalmente, essa cultura é construída. No mundo da propaganda, das novelas, cinema, revistas, etc, essas pessoas só aparecem para pedir esmolas ou perpetuar seus dramas. Eles não fazem parte da vida cotidiana de ninguém. Parece não haver esse “tipo” de pessoas no ideário dos meios de comunicação. Esse fato, acaba determinando o comportamento da maioria das pessoas em todos os lugares. A primeira instituição que o Thomas teve que abandonar foi a escola. Depois, percebemos não haver lugar para ele e para nós na Igreja, também. Até encontrar trabalho ficou mais difícil. As pessoas, por diversas razões de ordem emocional, não querem contratar o pai, a mãe ou o irmão de alguém com esse problema.

    A Internet passou a ser o mundo do Thomas. A imagem que as pessoas têm dele é aquela que ele escolhe divulgar. Então, ai o relacionamento torna-se igual e democrático para ele.

    Não sabemos muita coisa, ou não temos muito a dizer sobre o futuro do Thomas. Muito antes de ele vir ao mundo fui preparado para ele através de um filme cujo título era: “Cada dia será como Deus quiser.”. Assim tem sido a vida do Thomas e a nossa. Cada dia pertence ao Senhor. Então, cabe a Ele determinar tudo.

    segunda-feira, março 13, 2006

    Fábio Adiron


    Fábio Adiron Ribeiro é o mais recente integrante da Equipe Kerigma Online. Fábio é um irmão mais que especial - pouco conhecido no mundo evangelical (fora de sua denominação presbiteriana), mas muito conhecido por sua forte atuação e participação nos movimentos de inclusão social e por sua brilhante carreira como especialista, professor e consultor em Marketing Direto.

    Oriundo de tradicional família cristã, Adiron é presbitero, estudioso da Palavra e músico de mão cheia (e coração também). Casado e pai de dois filhos, tem vivido uma aventura, pela graça de Deus, com o caçula Samuel, portador de SD.

    Abaixo um extrato de um ping-pong com perguntas e respostas para conhecermos um pouco desse precioso irmão.

    Como é o seu cuidado com o Samuel?

    Os cuidados com o meu filho, são os mesmos que com qualquer outra criança, com duas exceções. A primeira é que ele nasceu com uma cardiopatia congênita (fato que ocorre com mais frequência na SD, mas também acontece com outras crianças sem SD) e, portanto, precisou de cuidados médicos adicionais até ser submetido a uma cirurgia corretiva. Além disso, o que é muito importante para crianças com SD é a estimulação precoce, que nada mais é do que antecipar estímulos para que o desenvolvimento seja o mais próximo do padrão.

    Quais experiencias de superações e sentimentos você pode compartilhar conosco?

    Eu teria de fazer uma lista. Mas acho que a melhor definição é a seguinte : mesmo sempre acreditando que ele vai fazer as coisas, a gente sempre tem, lá no fundo, um sentimento de que ele vá ser limitado. E quando ele faz e, por conta própria, a gente se surpreende. Eu lembro que uma vez estavámos conversando eu, meu pai e o Samuel. Aí eu falei para o meu pai : "O Samuel já está lendo as letras pequenas...", ele (Samuel), me deu uma cortada e falou : "Pequenas não....minúsculas..."

    Você é ativo na questão da inclusão e coordena um grupo de discussão - como é isso?

    Nós temos um grupo de discussão com quase 800 pessoas entre pais, profissionais de saúde e educação. As experiências são as mais variadas. Discutimos as dificuldades (qual pai não tem dúvidas sobre a criação dos filhos ?) e as vitórias. Temos momentos felizes e outros nem tanto. Todos passaram pelo choque inicial da notícia, depois por uma fase de busca de culpados. Mas quando descobrem que não é o fim do mundo, vão à luta pelos filhos que amam. Alguns pais demoram um pouco mais para passar pela fase do luto. Raríssimos nunca saem dela. Os que vão em frente são muito felizes.

    E o movimento de inclusão, como é essa luta?

    A questão da inclusão é uma luta permanente. Quando falamos em inclusão não é preparar nossos filhos para essa sociedade que está aí, mas lutar para que a sociedade se modifique de forma a acolher bem todas as pessoas. Nós queremos transformar a escola, o trabalho, o lazer, em espaços que valorizem a diversidade. Isso incomoda muita gente que está firme e forte no seu status quo.Por outro lado, aqueles que estão se dispondo a se transformar e, assim, transformar o seu meio, estão descobrindo um mundo mais rico e mais valioso. Como diz a Profa Maria Tereza Mantoan da Unicamp : "Inclusão é o privilégio de conviver com a diferença". As pessoas que descobrem esse privilégio , descobrem junto que a vida pode ser muito melhor.